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Retorno à Namíbia



        Este ano está completando exatamente 10 anos que estive pela primeira vez na África. Em comemoração ao aniversário retornei à Namíbia.

        Quando sobrevoei a África do Sul pela primeira vez em 2007, não me entusiasmei ao ver Johanesburgo, cidade tão populosa, grande, com muitas indústrias, sentia-me sobrevoando São Paulo. Eu não esperava uma África assim, meu sonho era deparar com savanas africanas.

        Mas, quando o segundo avião que tomamos para a Namíbia se aproximou do solo, olhei pela janela e vi intermináveis savanas, meu brado não poderia ter sido outro para os passageiros ao meu lado: I´m in África, look  the beautiful savannas!

       Assim que meus pés tocaram o solo Namibiano, foi amor à primeira vista!  Era um verdadeiro sonho tornando-se realidade!

       Sempre foi meu sonho conhecer a África, nem pensava em caçar, pois sabia que era para poucos, mas a socialização da caça com a criação de animais selvagens, proporcionou a manutenção de muitas espécies ameaçadas, como também propiciou às pessoas como eu, que nunca esperavam caçar em África, ter seu sonho realizado.

      Muitos caçadores africanos que caçaram na África até a década de 70, falam que hoje a maioria dos safaris de caça em África são enlatados. Concordo que existe uma maneira antiética praticada em alguns países que, no intuito de servirem-se de dinheiro, usam esse preceito. Contudo, o governo da Namíbia leva a prática da caça como coisa séria. Senão vejam: todas as fazendas que se pretendem candidatarem para a prática da caça terão que ter no mínimo 2.000 hectares de área, portanto, assim os animais possuem espaço grande para viver e até fugir de caçadores.  Por exemplo, a fazenda que estivemos caçando este ano de 2017, possui 9 mil hectares, o fazendeiro tem muitos animais, além de 30 waterbucks que nunca os viu à pé ou de picape, só consegue vê-los de helicóptero!

     Outro grande trunfo da caça em Namíbia é a grande exigência para que o “Professional Hunter” obtenha sua licença. Além do conhecimento do Inglês, deve saber atirar, também exige dele o total conhecimento dos animais, seu habitat, sua alimentação. Todas as plantas e árvores é indispensável conhecer. E, um dos mais difíceis testes, é ter que avaliar com precisão o tamanho do chifre de um animal a 100 metros de distância com erro de uma polegada!

A caçada 

     Tomamos avião às 18:00 em Cumbica, após um voo de 8 horas pousamos em Johanesburgo, com uma espera aproximada de 2 horas embarcamos noutra aeronave da South African, com destino à Namíbia. Num voo curto de 2 horas pousamos no aeroporto de Windhoek no horário local às 14:00 horas. Sai do desembarque, fiquei esperando os companheiros liberarem as armas, nesse meio tempo procurei linha pra falar no Brasil, mas não havia sinal de telefonia celular. Então, fui procurar auxílio, perguntei para um negro, em inglês, sobre o sinal da telefonia, ele percebendo meu sotaque, me perguntou se eu conhecia Alceu. Por coincidência ele estava esperando- nos para levarmos para o hotel e falava português, pois é angolano.

     Após toda liberação, deixamos o aeroporto e seguimos para Windhoek para visitar as lojas de armas e de artesanatos. Ficamos nessa lida até as 18:00.

     As lojas de armas, como sempre, foram os pontos favoritos que mais nos agrada. Além disso na África, costumamos deparamos com os célebres calibres africanos como o .375, .416 e.458 etc.

          Visitamos também a feira de artesanatos, onde podia-se comprar inúmeros artigos de decoração em madeira Ébano, como também, dentes e chifres de animais. Havia algumas mulheres da tribo Himba, semi- nuas, com os cabelos pintados tradicionalmente com pasta cor de ocre.

       Após essa cansativa, mas agradável diversão, fomos visitar um curtume de peles de animais. Um verdadeiro shopping de peles de bichos da África, onde se podia ver e comprar qualquer tipo de pele. Realmente foi uma visita muito interessante.

      Após toda compra realizada, inclusive munições, para uso na caçada, fomos para o hotel onde tomamos um reconfortante banho, em seguida fomos ao restaurante do hotel para apreciamos a saborosa carne de boi, orgânico grelhada da Namíbia. A intenção seria jantar no restaurante chamado Joes Beer House, que serve carne de bichos, mas a canseira nos fez mudar de opinião. 

Na volta do restaurante para o chalé do Hotel, o frio nos pegou, estava deveras frio, fomos diretamente para baixo das cobertas.

     Manhã seguinte, após um belo” breakfast”, ficamos impacientes aguardando o Rubens que se atrasou um bocado e nos deixou um tanto ressentidos, pois nosso tempo era contado! 

Saímos por volta das 10:00 do hotel, rodamos por asfalto por volta de 3,5 horas chegando na minúscula cidade de Aranos, mais uma surpresa nos deixou tristes. Ficamos esperando por conta da má comunicação.

     Bem, nossos amigos resolveram comer algo e foram a um supermercado chamado “U shopprite” em Aranos. Por surpresa nossa, o Mário saiu com um balde de sorvete de massa do mercado. Então perguntei-lhe: -mas vai tomar sorvete como? E Mário mostrou cinco colheres que havia também comprado, assim nos fartamos de sorvete para adoçar um pouco nosso desgosto!

      Ficamos ali esperando próximo a uma igreja, conversando com o Rubens motorista, que nos falou que aquela região é do Kalahari, terra dos “bushmen”. Eu queria tirar uma foto com um bushmen , mas nenhum passou por ali.

     Após esperarmos aproximadamente uma hora apareceu a esposa do “Older Freddie”, proprietário da fazenda “Freddie Dreyer” que nos conduziu até a fazenda, o percurso durou por volta de meia hora numa estrada de areão branco. 

    Ao chegamos à fazenda de caça dos Freddies, deparamos com muitos animais como Roam e Niala, que estavam se alimentando com alimentação suplementar. Tivemos oportunidade de fotografar e filmar esses belos animais. 

    Logo foi servido um aperitivo com cerveja, produzida na Namíbia, a qual apreciadores julgam-na muito boa. 

    Após servido o jantar com suculento bife de boi, fomos ao “camp fire”, que é uma tradição africana da conversa em volta do fogo, onde conversarmos por algum tempo. Como de costume, o Older Freddie veio nos servir licor de Amarula.

     Dia seguinte: após o teste de tiro com o .270 fomos com o” Freddie son” para um” blind”. Mário , Freddie e eu acomodamos em cadeiras num” blind” construído de madeira e fechado com tela plástica internamente. O Freddie nos falou que sua fazenda foi comprada por seu avô em 1948 e agora quem cuida do negócio é o Freddie pai, ele, o filho, e o futuro Freddie neto, todos Freddie.

     A fazenda tem 9 mil hectares, mas somando as dos parentes vizinhos vai para 40 mil hectares caçáveis. Ele nos disse que após uns 40 minutos na espera poderia aparecer diversos bichos no sal e eu teria a chance de flechar algum animal. Além desse” blind” tem mais 8 deles. O” blind” do “Waterhole”, tem a certeza de aparecer a zebra, o eland, que toma água todos os dias, já o springbok a cada três dias e o órix uma vez por semana. Sendo assim o” blind” do sal seria o mais acertado para ficar. Permanecemos nele até quase 2horas da tarde, como só veio uma fêmea de sprinbok, o Freddie resolveu ir para” blind “do” waterhole”. Chegando lá notamos que a fresta para atirar estava localizada muito alta e não dava pra atirar com arco nem com rifle.  O Freddie voltou pra casa e trouxe um pallet para subirmos. Enquanto não voltava vimos a cerca de 200 metros uns 4 fox.  Naquela ânsia do primeiro dia, gastamos inutilmente quatro balas neles.

   Permanecemos no local por uma hora e meia e só apareceram para beber água fêmeas de springbok. O Freddie achou que deveríamos sair à procura de outros bichos de picape. Antes porém, voltou pra fazenda apanhar um rifle .243 e seguimos ao encalço de outros animais, talvez um duiker, pois estava na hora propicia deles se alimentarem, já que são acostumados a isso, após o escaldante sol da tarde africana.

    Empoleiramos nos bancos, em cima da caminhonete, Mário e eu, do nosso lado ia o Freddie filho e no volante o Freddie pai, ao lado no banco da frente o Alceu, o Freddinho neto e o Pedro, neto do Alceu, também aproveitaram a carona. Andamos um pouco onde vimos muitos springbok,  muito ariscos, creio eu motivado pela quantia imensa de machos ,35, abatidos por caçadores europeus no dia anterior.

    Logo em seguida avistamos algumas fêmeas de” black faced” Impala. Anda que anda com a picape, através dos bushes espinhosos e o Freddie filho ia gritando em africâner para o pai por onde teria que seguir.

    A luminosidade do dia estava diminuindo, o primeiro dia de caçada estava nos seus últimos momentos, Mário e eu não havíamos matado nada! Mas, a sorte ainda estava por vir. Logo avistamos uma manada de fêmeas de impalas, atrás ia um macho ” black faced”, por sorte nossa e infelicidade dele, resolveu parar a cerca de uns 180 metros de nós, todo altivo com as espáduas na posição ideal, olhando para a gente.


   Foi quando ouvi a palavra mágica, que nós caçadores mais desejamos, e que nos faz explodir a adrenalina: shoot!

   Meti a coronha do .243 na cara, destravei a arma, coloquei a cruz do reticulo da luneta na linha do ombro do belo Impala, prevendo a queda da trajetória da bala. Com suavidade fui premindo o gatilho e segurando a mira, até que o disparo saiu com ruído fraco, motivado pelo abafador de ruído colocado no cano da arma. Avançamos em direção ao bicho, comemoramos e fotografamos o lindo Impala de pelagem perfeita.

   Nesse mesmo dia o Pedro de 17anos neto do Alceu, abateu dois kudus e um steembok. O avô, ficou muito faceiro e batizou o rosto do neto com o sangue do bicho.

    Mais detalhes sobre essa caçada será relatada posteriormente.

Não se esqueçam de adquirir o nosso livro” Contos de Caçadas II”, lançado recentemente.

E-mail: recargamatic@recargamatic.com.br


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