Saudoso Roque Aleijado

Saudoso Roque aleijado


Ainda me lembro de quando moleque, bem em frente à nossa casa tinha o pasto do Martelini, ali era a diversão da molecada com estilingue. O sítio deveria tem uns oito alqueires, na frente tinha o pasto depois uma baixada e logo um aclive e ia terminar na estrada da Maria fumaça. Hoje virou tudo cidade. Lá tinha rolinhas, sabiás, tico-ticos, sem-fins, que a gente ficava procurando onde ele cantava e não achava de jeito nenhum. Tinha também juritis,bem-te-vis e codornas e muito, mas muito mesmo, preás.

Sempre que encontro o Olavo, digo a ele que era um verdadeiro caçador de preás e ele me responde:- –Eu não, o bom era o Roque aleijado.

De fato, acho que na nossa região ele foi um campeão nisso. Eu, por diversas vezes vi a fieira enorme dos preás que pegava na estilingada no pasto do Martelini.

Depois que abandonou o estilingue o Roque passou a caçar com espingarda e da mesma forma tornou-se dono de muito boa pontaria.

Como ele adorava a aventura da caça e da pesca, ingressou na turma que ia para aqueles safáris no Mato Grosso.

Segue então uma curta história do Roque e seus companheiros

O dia surgiu lindo, sem nuvens no céu, era inverno. A passarada cruzava os ares indo atrás de seus alimentos. Grandes socós e tuiuiús voavam daqui prá lá cruzando a Lagoa Paraguaia em busca de um ponto de pescaria. Após o café preto coado no pano e o leite vindo da fazenda, um pedaço de pão duro, saíram Mario Sbompatto, Roque aleijado e Chico Montanhim para uma caçada de perdiz. Foram do lado oposto da lagoa onde existia capim  colonião de baixa altura, no ponto de caçar perdizes. O Mário nunca foi caçador, só foi mesmo para acompanhar, o Chico já era de idade e o Roque aleijado com duas muletas. Se o cachorro esperasse quando o cão amarrasse,  o Roque atirava bem, mas se o cachorro apressasse o Roque atirava de qualquer forma. Muitas vezes o Roque atolava nos brejos com suas muletas e pedia socorro, ai tinha que desatolar o aleijado. Enquanto a caçada prosseguia no campo de colonião, no acampamento escutavam um tiroteio que parecia dia de Nossa Senhora Aparecida. Para tanto prepararam as facas e determinaram quem iria depenar e quem iria abrir os perdigões, pois pela quantia de tiros seriam muitos.     Não demorou muito chegaram os três com onze perdizes, foram  quase 150 tiros, acabaram com os cartuchos e só mataram aquele tanto. Imaginem vocês a chateação que tiveram. Na foto estão Mário, Chico e Roque, todos já falecidos.


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