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Sobre espingardas e cartuchos


Mitos e verdades sobre as espingardas e seus cartuchos.

 Caçadores brasileiros, principalmente os de subsistência, ainda usam espingardas monocanos com cartuchos de metal. Um mito que muito se popularizou entre os usuários de cartuchos de metal foi que esses cartuchos danificam as armas. Se isso fosse verdade os revolveres e as pistolas não durariam nada.

A realidade é o seguinte: o que o que estragava a câmara e os canos das armas era as espoletas dos cartuchos de metal, pois usavam como propelente para espoletas à base de mercúrio, produto altamente corrosivo. A única indústria que vendia essas espoletas montadas com fulminato de mercúrio era a Rossi que há muito tempo encerrou a fabricação.

Cartuchos de metal muito usados podem apresentar vazamentos no bolso da espoleta ou rachaduras em seu corpo. Dessa forma quando se dá o fogo da combustão vazam gazes de alta temperatura provocando erosões tanto na câmara da arma como na báscula.  O mesmo acontecia com cartuchos de papelão com muito uso, vazavam gazes incandescentes entre o culote e o papelão, causando aquelas marcas cinturadas na câmara das armas.

A grande maioria das espingardas do início do século passado apresentam corrosões internamente nos canos, isso foi por conta desse famigerado Fulminato de mercúrio. Portanto cartuchos de metal não estragam as armas.

Outro mito: se não socar a pólvora não sai tiro. Socar a pólvora sem fumaça pode ser muito perigoso. Desgraçadamente muitos ainda pensam que é indispensável socar a pólvora sem fumaça. Essa prática era usada em armas de ante carga com pólvora preta. Hoje é um absurdo ouvir alguém falar em socar pólvora. As pólvoras sem fumaça não devem e não podem ser socadas.

Já ouvi alguns falarem que quando disparou o tiro com cartucho recarregado o chumbo escorreu por dentro do cano caindo pela boca. Esta situação ocorre sob duas circunstâncias: primeiro com buchas mal ajustadas. Segundo com fechamento sem estanque.

Na década de 80 acontecia muito isso, pois existia um cartucho de plástico, que por sinal vendeu muito, sua marca era Rocket. Logo depois apareceu outra marca que se chamava Veraplast. Atualmente nenhuma delas existe mais. Esses cartuchos eram feitos de polietileno injetado e internamente eram cônicos. A firma Resende que fabrica buchas plásticas fabricava uma bucha de cor verde, especial para esses cartuchos, essas buchas eram de diâmetro menor que o padrão, e quando encontravam com a conicidade interna do cartucho dava um estanque perfeito. Acontece que os incautos usavam essas buchas verdes para recarregarem seus cartuchos da CBC que eram e são fabricados a partir de tubos plásticos, portanto internamente são paralelos.   Então os tiros não saíam e o chumbo caia pela boca do cano, justamente porque as buchas ficavam folgadas no tubo do cartucho.

Outro mito conservado até os dias atuais por alguns proprietários rurais é o medo que seus campos secos se incendeiem com tiros de espingarda. Mesmo com o hábito de alguns carregarem seus cartuchos com papel higiênico não provocam esse temeroso incêndio com o uso das pólvoras sem fumaça.

Outro mito que sempre ouvimos é que se não calibrar os cartuchos metálicos estraga a arma. Se os cartuchos estão entrando e saindo bem sem calibrar não há problema nenhum, não estraga a câmara. Porém se o cartucho for difícil de entrar e de sair da câmara, além de ser perigoso pode prejudicar a câmara, isto vale para armas à bala também.

Outra coisa que causa muita dúvida: Ano passado me ligou uma esportista reclamando que o cano da sua arma estufou com um cartucho de fábrica. Fiquei indignado com o fato e falei para ele reclamar com a fábrica, mas ao mesmo tempo me lembrei de perguntar onde  o cano tinha estufado. Aí ele me disse que foi no meio do cano. Então de imediato descartei o problema do cartucho, o problema foi alguma barreira dentro do cano, e não precisa ser uma barreira forte.  Se o estufamento tivesse sido na câmara da arma, aí sim poderia ser causado por cartucho com sobrecarga.

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