Sonho do caçador


O friozinho de abril desponta indicando o prenúncio da estação de caça, com ele vem o exacerbado desejo de estar na lida.

 Atualmente o local mais adequado e mais procurado pelos brasileiros é o Uruguai.

Lá, parece que voltamos no tempo, aquele tempo em que aqui podia caçar. A liberdade de praticar nosso esporte faz com que nosso encantamento pelo país se estenda por todo nosso campo de visão, tudo parece maravilhoso.


Atravessamos o silêncio da noite úmida num reconfortante e profundo sono, parece que nem dormimos e logo nosso despertador natural assinala que é hora de levantar. O dia ainda está escuro, ninguém lá fora só a neblina fria. O pensamento divaga na espera do café, nada de negócios ou família, só o intento, a caça.

Ouvimos movimentos da cozinha e é hora de levantar, logo  aparecem outros caçadores, que em frente à lareira, tomando o gostoso calor da lenha ardendo, em conversas regadas de ânimos e desejos .


A movimentação desperta os cães que até a pouco estavam quietinhos com os corpos enrolados de frio, ladram e pulam alto querendo ultrapassar o alambrado loucos para entrarem nos carros.

Assim que são colocados nas gaiolas ficam calminhos, mas em compensação os que ficaram privados de sair reclamam com latidos lúgubres.

Os carros em funcionamento esperam os caçadores que ainda correm atrás de seus cartuchos e de suas armas. A partida sempre se dá uns saudando outros com votos de boa caçada.



—Você desce aqui nessa propriedade, pode caminhar até a terceira cerca na volta rodeia o lago  por cima e espera na estrada.

O mochileiro carrega a água os cartuchos e também fica incumbido de fotografar e filmar.

O Jimi , cão “Epagneul Breton” ,lanudo amarelo e branco, que nos proporcionará o espetáculo é o primeiro a atravessar a cerca da estrada e adentrar ao campo. Como de costume, primeiro faz suas necessidades e só depois vai ao trabalho.


 Jimi sai apressado, vibrando seu toco de cauda, em zigue-zague pelo campo ainda úmido de relva da madrugada. Assim que a emanação dá sinal forte da ave a perseguição recrudesce, ela tenta de todas as formas se livrar de seu algoz driblando-o pelas trilhas de capim até que suas pernas fatigadas não mais aguentam. Recorre então por sua segunda defesa, e num rufar típico de asas foge pelo ar entendendo assim  estar livre. Mal sabe que ainda resta a ela cumprir um desejo natural de seu maior predador. A sorte está no ar: sorte do caçador, azar da caça ou vice versa.

A caçada continua, percorrendo campos, restolhos de soja e brejos, o calor aumenta livramos-nos da blusa e logo o sol vai a pique, sinal que a empreitada terminou.

 Fazer ou não a cota isso não importa, o que importa é estar caçando. 







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