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Spot– O perdigueiro


Cedo ,Ouvi um ruído, fui ao portão , notei que era meu dono chegando. Estranhei, pois a maioria dos dias quem  cuida de nós é outro humano. Eu sou o mais novo dos três, cresci aqui. Meu dono, pegou as vasilhas e nos deu comida. Prendeu  meu colega Rossi, que está velhinho, soltou-me doutro lado e deixou o Cacique, meu outro colega ,preso também. Notei meu dono pegar a coleira de treinamento e a corrente. Fiquei tão faceiro , pois, é incrível, gosto mais de quem  me leva passear do que  quem me trata todos os dias! . Não sabia se ele iria me levar passear na rua ou ir ao pequeno pasto aqui perto. Nesse Pasto, algumas vezes ele levava duas codornas caseiras e soltava-as pra que eu as achasse. Era muito fácil, pois antes de soltar , me deixava  preso na cerca  e soltava as codornas no capim. Quando ele me liberava  seguia seu rastro  , assim ficava muito fácil encontra-las .Eu abocanhava a codorna e ficava passeando com ela na boca. Meu patrão me chamava: -Spot, vem! Que nada ,nem dava bola! Era tão gostoso ter na boca uma codorna. Depois de algum tempo eu ia em direção a ele e entregava a codorna vivinha!

Voltando ao assunto, ele  passou a corrente em meu pescoço, levou-me pra rua e  me colocou dentro da caçamba da picape. Por um tempo viajei tranquilo,  no conforto, mas depois começou dar socos que não acabava mais . A picape parou , meu dono abriu a tampa e desci. O lugar era estranho, havia uns cachorros q não paravam de latir, mas não brigaram comigo,pois se vierem brigar eu me defendo!

Recebi a coleira de treinamento e saímos num piquete de grama fina . Fui cheirando por tudo, vez por outra rolava nos estrumes de boi e meu patrão ralhava comigo! 

Certa hora senti uma emanação , parei ,fiquei imóvel como uma estátua, mas lá na frente enxerguei ,eram dois Quero-Queros, desisti , pois sabia que meu dono não importa com eles. 

Andei muito, mas não distanciava em excesso, tanto que meu patrão quase não me chamava .Antes de passar uma cerca senti um cheiro parecido com as codornas domésticas, fui devagarinho, mas logo voaram dois Tico -Ticos do campo. 

Já estava um pouco cansado, quando vi um tanque que servia de bebedouro do gado, entrei , saciei a sede e me molhei pra refrescar. Assim que deixei o tanque, senti um faro muito semelhante de codorna, fiquei imóvel, meu patrão estava bem próximo. O cheiro diminuiu e fui em frente bem devagar pra ver se via algo no chão, aí perdi o faro , pois a ave parecia muito astuta, dei uma volta pra certificar, foi quando senti  novamente aquele faro forte de ave nativa ,  não tive tempo de mais nada , pois a ave levantou voo muito rápido. Corri um pouco atrás , meu patrão me chamou, parei e sentei-me , permaneci olhando por onde a codorna voou, não entendi nada daquilo, pois estava acostumado abocanhar facilmente a ave , mas essa não deu! 

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