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Taxidermia -troféus



A real intenção deste “post” deveria ser uma bela explanação mostrando o que é o serviço de taxidermia suas fases e a arte envolvida no trabalho, mas infelizmente resultou num “post” de agravo e desabafo das agruras que passei com os troféus que obtive na Mamíbia em 2007.

A caçada foi ótima, me dei perfeitamente na companhia dos companheiros, mas muitas vezes vamos à uma caçada ou pescaria com quem não conhecemos e logo ficamos chamando de amigos. A bem da verdade, nós conhecemos durante nossa vida 400 amigos, hoje com o facebook uma miríade deles, mas peneirando sobram apenas uns 6 que podemos considerar verdadeiros amigos. Amigos são aqueles que não tiram proveito, não fazem fofoca, telefonam vez por outra para saber como estamos e se algum problema nos aflige sempre dão seu ombro amigo.

Mas o caso é o seguinte: caçamos nesse país maravilhoso que é a Namíbia, obtivemos os troféus que lá foram perfeitamente esfolados, retirados os chifres, ossos das cabeças cozidas, ficando osso puro e os couros foram muito bem salgados do peito à cabeça. O material ficou armazenado na fazenda de caça até que se desidratasse perfeitamente.

Após uns quatro anos, um dos “cumpanheros” que viajou conosco se encarregou de importar os troféus. Ele pediu nossa anuência e concordamos.

Assim, ele contratou uma firma do sul para fazer a importação e foi mantendo contato com seu amigo da fazenda de caça da Namíbia, com o importador e com a gente, pois éramos três juntos importando os troféus.

Para quem não sabe o processo de importação além de caro é complicado e demorado. Há que contratar uma firma de exportação dos troféus na Namíbia, o material deverá passar por inspeção veterinária. Da mesma forma aqui há muita exigência e demora.

Vez por outra o “cumpanhero” me ligava ou passava e mail para que eu depositasse dinheiro na conta. E assim foi sucessivamente por mais que dois anos de penitência, não sabendo se iríamos receber ou não os troféus. Fiquei desacreditado em tudo e em todos, até que um dia recebo uma notícia alentadora que nossos troféus estavam deixando a alfandega. Na ocasião estava curto de dinheiro e solicitei ao “cumpanhero” que fizesse o pagamento da minha parte final e foi o que ele fez.

Acontece que quando fui à São Paulo buscar meus troféus deparei com um fato inusitado: haviam três volumes que foram importados conjuntamente. A minha parte era a menor de todas em peso e volume, a do “cumpanhero” intermediária e a do outro a maior. Só ali fui perceber que o “cumpanhero” estava me cobrando exatamente o mesmo valor que ele estava pagando, portanto um erro crasso proposital que só beneficiaria a ele.

Chegando em casa com os troféus cuidadosamente embrulhei-os e coloquei numa caixa de papelão, nesse momento foi até difícil colocar arrumar na caixa  os chifres do Oryx que mediam 101cm. Então, despachei para o Taxidermista.

Recebendo lá o profissional verificou e me passou e mail dizendo que o material estava bom e me passou os preços, prometeu me entregar tudo pronto em 90 dias. Ficou combinado de eu passar o valor da metade do serviço e foi exatamente o que fiz.

Decorreram os 90 dias e nada do serviço ficar pronto, 180 dias e nada, um ano e nada. Todo esse tempo o proprietário vinha me respondendo tanto por e mail como whatsapp minhas cobranças e sempre dando desculpas.

Até que após 13 meses recebo uma mensagem pelo whatsapp que meus troféus estavam prontos, mas quem passou foi a esposa do taxidermista. Ela toda simpática, até me elogiando, pois escrevo sobre caça.

Estranhei muito porque o Taxidermista não mais quis falar comigo. Suspeitei, já que pelo Whatsapp podemos falar em qualquer parte do mundo. Porém sua esposa sempre alegava que ele estava viajando, dando cursos e outras desculpas.

Acertamos o transporte e a forma do pagamento da última parcela. Assim os troféus chegaram à noite sem nenhuma nota fiscal. Paguei o frete para o motorista e entreguei o cheque da última parcela. Achei bonito o trabalho, mas como era noite não pude observar com mais detalhes.

Noutro dia recebo um whatsapp dizendo que os chifres estavam melando, justificando que é próprio deles e não haveria nenhum problema. Fui então verificar melhor e notei que os chifres foram pintados, este talvez seria o motivo de estarem melando. Medi o comprimento dos chifres do oryx e não davam 80cm. Imediatamente passei uma mensagem para ela perguntado se chifres encolhem com o serviço de taxidermia, ela me respondeu que não. Então falei vocês trocaram meus chifres! Fui também verificar os chifres do kudu, também tinham sido trocados, pois um deles tinha a ponta quebrada, e os que vieram as pontas estavam intactas. Assim sendo, retornei a mensagem falando que trocaram os chifres dos dois animais e que já havia sustado o cheque. Como por encanto logo me liga o taxidermista dizendo que chegou de viagem, disse que eu estava enganado que ele não faria uma coisa dessas, etc., etc. Suas desculpas não me convenceram.

Consultei um advogado e este me orientou que nesse caso eu poderia até entrar com uma ação indenizatória da viagem do custo da importação, etc. Explicitei tudo ao Taxidermista e o caso ficou estacionado.

Após um mês me liga um amigo de São Paulo perguntando porque eu não paguei o Taxidermista, de imediato relatei o ocorrido. Em seguida ele passou o telefone para outra pessoa que era um advogado arguindo também sobre o cheque. Novamente expliquei a ele a situação, porém usando de muita dialética, característica própria dos advogados ele me encurralou dizendo que fez uma vaquinha e havia pago o cheque. Para não criar mais confusão fiz igual  El Milano:

   “Se narra en el Bhágavata que el Avadhuta tuvo veinticuatro Gurús, uno de los cuales fue el milano. (ave de rapina)

     “En cierto lugar, unos pescadores estaban pescando, cuando el milano se precipitó hacia abajo y arretabó un pescado.

     “À la vista del pescado, unos mil cuervos persiguieron al milano haciendo gran estruendo con sus craznidos.

     “A cualquier lado que volara el milano, los cuervos lo seguían. El milano voló al sur y los cuervos lo seguieron.

       Voló al norte y también lo seguieron los cuervos. Fue hacia el este y el  oeste, con el mismo resultado.

     “Como el milano comenzara a volar confusamente, hé aquí que el pescado cayó de su pico.

     “Al momento, los cuervos dejaran solo al milano y volaron tras el pescado.

     “Así, relevado de sus preocupaciones, el milan se posó em la rama de un arból y pensó:

“Aquel miserable pescado era la raíz de todas mis preocupaciones.Ahora me he librado de él y por lo tanto estoy en paz”

Um conselho: leitores que eventualmente terão que remeter seus troféus para taxidermia, não esqueçam de fotografar tudo antes de enviar e exigir do profissional um relatório descritivo daquilo que recebeu.

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