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Tiros marcantes



    Os tiros marcantes são aqueles inusitados, difíceis de acreditar ou muitas vezes até impossíveis. Eles marcam indelével nossa memória e permanecem por toda vida na recordação e cada vez que relembramos sentimos regozijo.    A caçada de codornas no Uruguai (perdizes como eles chamam) é feita com acompanhantes nativos, que conhecem caçada. Eles são chamados de mochileiros e fazem o serviço de mostrar os locais da caçada, carregar munições, água, apanhar e carregar a caça, bem como dar orientações ao cão de caça.   No meu caso, além dessas funções normais sempre solicitava ao mochileiro Roberto que fotografasse e filmasse, então ele caminhava com a máquina fotográfica e a filmadora. Em muitas ocasiões a gente ficava até perdido, não sabia se mandava  fotografar ou filmar , isto foi motivo até de chacota do mochileiro que dizia: filma… filma…foto…,foto… água… água, como diz: quer que faça tudo ao mesmo tempo …não dá!   Mas o mochileiro era bom de filmar e cantar, e permanecia atrás de mim com câmara e ia filmando os cães trabalhando e participando ativamente dos bons tiros e também lamentando os maus. Um momento o Spaniel Breton amarrou magnificamente bem uma codorna, andou um pouco e como um gato caçando ficou bem abaixadinho esperando. O mochileiro falou prá mim: “deve de estar preparado cuando digo acción volará la perdiz” Aquilo foi como fazer  cena para cinema quando diz: Ação! E a codorna levantou no focinho do cachorro e a filmagem registrou tudo até as penas esvoaçando pelo ar, só mesmo não captou a emoção que sinto até agora. Outra cena inusitada foi quando numa vegetação rala, num terreno inclinado com um pouco de pedras o cão novamente me proporcionou uma amarrada sensacional e pulam duas codornas, aliás, foi para finalizar a cota do dia. Atirei a primeira que caiu perto de uma pedra e a segunda que voou para a direita também foi alvejada. A segunda foi fácil de apanhar, mas quem diz de achar a primeira. Procuramos de forma exaustiva e nada, resolvemos então caminhar mais um pouco e depois voltar ao local. O Mochileiro não se conformava e dizia: puta que te pariu la perdiz cayó cerca de la piedra y no soy capaz de encontrar. Aí ele teve uma ideia brilhante, dar um revew na filmagem e ver se via onde caiu a codorna. Assim depois de olhar e reolhar a filmagem, foi certinho onde a codorna havia caído. Estas simples passagens deixam muita recordação

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