Tributo a Jorge Alves de Lima "O Kirongozi"


                                                       Jorge, o pisteiro e a árvore




Jorge Alves de Lima, este é o homem que todo esportista brasileiro amante da caça tem inveja. Ele viveu nas colônias africanas de 1948 a 1969 e seu desejo é se eternizar no continente negro em forma de cinzas. Jorge passou a melhor parte de sua vida fazendo do seu trabalho sua grande satisfação. Caçou os 5 maiores na África, além de inúmeros antílopes e crocodilos enormes com mais de 300kg. Alimentou muitos nativos com carne de elefantes, rinocerontes, búfalos e outros, e gerou renda para os negros paupérrimos.

Realizou desejo de caçar na África de muitos homens renomados da sua época.

Publicou nos EUA três maravilhosos livros, um verdadeiro patrimônio histórico de sua passagenm pela África.

Com sua permissão relato uma pequena passagem do seu livro.

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Um dia, enquanto fazia o reconhecimento de uma área nas cercanias, aproximadamente a 800m do rio Rovuma, a partir de uma elevação do terreno, vi ao longe um elefante solitário, um macho de grande porte vindo do rio por uma trilha sinuosa, sua enorme cabeça balançando pesadamente para cima e para baixo como se fosse um pêndulo.


Fiquei observando-o com meus binóculos por um tempo, e me dei conta que carregava um par de presas de bom tamanho, estimei-as por volta de 30 quilos cada uma. Ele insistia em andar sobre a trilha, um caminho velho e batido que elefantes e búfalos usavam para chegar ao rio. Deslocava-se lentamente em ziguezague e não parecia disposto a fazer qualquer desvio para encurtar sua volta às matas fechadas. Provavelmente fazia parte de sua rotina habitual usar aquele mesmo caminho para descer e regressar do rio


. As circunstâncias eram mais do que promissoras, e eu não podia perder uma oportunidade tão favorável de abatê-lo.

Árvores de porte médio e espaços abertos desprovidos de vegetação densa facilitariam um tiro até a media distancia. Olhei em volta, e avistei uma grande árvore ao lado da trilha, por onde o elefante obrigatoriamente deveria passar, não mudasse ele a sua trajetória. Do lugar em que me encontrava até a arvore, apenas uns trinta metros nos separavam. Imediatamente planejei aguardá-lo atrás da arvore. Calculei que se mantivesse aquela toada em cinco minutos no máximo ele estaria passando por lá.

Pedi aos meus pisteiros que se afastassem uns cem metros do local onde estávamos, e que permanecessem quietos escondidos por detrás dos arbustos. Posicionei-me atrás da árvore, e de esguelha fiquei acompanhando o mastodonte que sem desconfiar de nada e com um vento amigo soprando em minha direção continuava a sua subida.


Quando se encontrava a poucos metros da arvore dei um passo à direita já com minha Express Jeffery cal.400/.450, de dois canos ao ombro e pronto para atirar; no momento em que sua cabeça despontou por detrás da arvore à queima roupa despachei-o com um tiro no buraco do ouvido. Fulminado ele desabou no lugar com suas patas da frente dobradas, uma postura costumeira quando o cérebro é atingido.


Nem chamaria isto de uma caçada, mas sim de um encontro fortuito e acidental. Os belos marfins caíram do céu, ao contrario da maioria das vezes quando a caça ao elefante exige por parte do caçador alem do risco sempre presente quando lidamos com animais perigosos, grande sacrifício físico, com perseguições de muitos quilômetros através de terreno hostil e matas agressivas.

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Esta pequena história passada por Jorge Alves, não dá idéia do que ele passou na África e também na Índia, em suas aventuras de caça, onde por muitas vezes seguiu elefantes e outros animais, por muitos quilômetros a pé, dormindo ao relento para não perder o rastro do bicho. Em outras ocasiões, teve que enfrentar feras bravias que era:

ou matar ou morrer.

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Eloir e Jorge Alves de Lima

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