Turismo de pesca em Argentina


Pescaria no paraíso do El tigre (Dourado) e dos grandes pintados

A organização

A organização da viagem ficou a cargo do Mário Jr. experiente em promover pescarias em território nacional e fora do país.

A viagem

O organizador possui um ônibus moto home para as excursões de pesca equipado com duas beliches, banheiro, mesa, ar condicionado, geladeira, enfim todos os requisitos para uma boa viagem com ótima acomodação.

O mês escolhido para a viagem foi outubro, época que os peixes já começam sua movimentação de subida do rio para a jornada da piracema (saída do peixe)

Assim sendo, partimos no quarto minguante , que não é uma lua considerada boa para pesca. O trajeto seguiu para oeste pela rodovia Castello Branco, a primeira parada foi no posto Café. A viagem seguiu buscando pelo sul, onde a direção foi alcançada em Ourinhos.  Após horas de viagem o ar condicionado parou de funcionar. Por coincidência paramos num restaurante para verificar o ocorrido. Felizmente só foi uma correia rompida e, enquanto almoçamos o próprio Mário substituiu a correia e a viagem prosseguiu com o ar funcionando.

Após percorrermos grande parte do Estado do Paraná e quatorze horas de viagem chegamos a Foz do Iguaçu, onde está localizado a trípice fronteira, em que os três países ,Argentina,Paraguai e Brasil fazem fronteira. A cidade de Foz está salpicada de hotéis e agências de turismo, possui além de outros pontos turísticos as Cataratas do Iguaçu, um dos locais mais visitados pelos turistas de todo o mundo.

Um ótimo hotel já estava reservado para pernoitarmos em Foz. Após um banho reconfortante fomos a um restaurante para saborearmos bons pratos de massas e carnes. O inusitado aconteceu, um dos participantes da excursão foi até aos músicos que abrilhantavam o local, emprestou o violino, veio à nossa mesa e nos brindou com algumas músicas tiradas no violino. Foi grande surpresa para todos, pois não sabíamos que ele tinha essa habilidade.

Noutro dia após forrarmos o estômago com um suculento café da manhã deixamos o hotel. Um probleminha de alergia num dos participantes fez atrasar um pouco a viagem, vencido o problema fizemos a imigração na Argentina e adentramos ao país. Percorremos a rodovia que corta o extenso parque do Iguaçu, onde tivemos o prazer de visualizar a bela floresta. Notamos nas margens da rodovia diversos indígenas em suas tendas de sapé vendendo orquídeas, provavelmente colhidas na floresta. Essa prática no Brasil é crime ambiental.

Após uma hora de viagem aparece o primeiro pedágio que, diferentemente do Brasil cobra irrelevante taxa, cerca de R$1,20 para carros.

Nossos estômagos já estavam a roncar quando fizemos a primeira parada para o almoço em terras argentinas e saborear a propalada carne, o bife de choriço, costela, morcilha, etc.

Na saída algumas índias com crianças ao colo, vez por outra penduradas nos peitos, ofereciam artesanatos indígenas

 Depois de galgarmos estradas que cortam plantações de araucárias, pinos e pastagens com gado Redfort deparamos com uma barreira para desinfecção do bicudo do algodão. Numa atitude ridícula os funcionários cobraram uma taxa equivalente a R$10,00 só para ônibus e caminhões, como se os automóveis estivessem isentos de transmitir a doença, para que mangueirinhas espirrassem um fraco jato de água com inseticida nos pneus.

Chegada a La Serena

Após o percurso de 500 km dentro da Argentina chegamos à cidade Ita Ibaté (pedra Alta) pequeno município onde está localizada a pousada. Entrando pela avenida, fomos recepcionados por uma plêiade de preás que se espalhavam pelos acostamentos de grama da avenida. A cena foi de encher os olhos, pois nunca vimos tantos preás por metro quadrado.

Assim que adentramos à pousada, imediatamente foi nos servido um aperitivo num quiosque fechado por vidros onde se avista o majestoso rio Paraná. Sob ar condicionado saboreamos peixe frito e outros aperitivos acompanhado de boa cerveja geladíssima e trocamos conversa com um grupo animado do estado do Paraná. Eles já estavam de partida e pareciam muito satisfeitos com a pescaria. Disseram que em frente à pousada estava infestado de pintados de grande porte, inclusive nos mostraram foto de um exemplar devolvido às águas com 1,67m de comprimento. Ao mesmo tempo em que fiquei entusiasmado também senti meio apreensivo, pois quando está pegando peixes a tendência é parar e, quando não está apanhando a tendência é pegar. Nós estávamos na triste tendência de não apanhar! Meu grande sonho era fisgar um grande pintado, bem como “El Tigre del Paraná”, o fantástico Dourado.

A pousada La Serena


Os apartamentos para três pessoas são totalmente confortáveis, possuindo até acessórios para facilitar o usuário de terceira idade.

A cozinha é fantástica com chefe de cozinha importada do Brasil para melhor atender aos grupos  brasileiros que representam 98% dos frequentadores. Além de padaria própria para produção de pães e bolos, possui ainda um singular equipamento para fogo de chão. Os espetos de costela ou carneiro, através de um dispositivo giram horizontalmente ao redor do fogo de chão.

O local também é servido por salas de jogos, piscina e quiosques onde os grupos são recepcionados antes do almoço e da janta para o tradicional aperitivo.

Lembrando da célebre frase: o peixe morre pela boca, acredito que o mesmo acontece conosco quando estamos em La Serena, pois somos também fisgados pela boca, a comida é muito boa. Peixe assado na brasa quase todos os dias, a famosa costela argentina e o não menos apetitoso carneiro em fogo de chão.

Quanto ao serviço de pesca, é muito bem organizado, com barcos de fibra com motores de 70 hp, piloteiros treinados para satisfazer e dar segurança ao turista. Diferentemente de outras pescarias, o turista nem sequer pisa na areia. O embarque é feito em plataformas seguras, com muita facilidade para os turistas. Para descer ao rio o turista poderá fazer pela escadaria da frente  ou pela rampa onde sobem e descem os barcos , a subida, se desejarem, poderão subir pela rampa ou escada, ou aqueles com mais dificuldades de locomoção poderão subir num carrinho puxado por cabo de aço.

A pescaria

O primeiro dia de pesca amanheceu nublado, a temperatura desceu e o dia aparentava não ser propício para a pesca. Dos cinco barcos que saíram pela manhã do nosso grupo só um apanhou um pintado que foi fotografado e devolvido às águas.

Após o sustancioso almoço, depois da sesta estávamos refeitos para nova jornada de pesca. O Roberto, nosso piloteiro, nos levou para diversos lugares onde pescamos com isca artificial e  milho cozido, mas nada de sucesso. Só alguns puxões e nada de fisgar. Só o Roberto foi quem fisgou três armaus, ou abotoado, peixe liso parecido com animais pré históricos, possuidor de serra na lateral no corpo.


Com grande satisfação retirei o belo pintado da água. Após fotografá-lo e me sentir realizado  procedemos a soltura. Como reza a lei os pintados da província de Corrientes só podem ser abatidos se tiverem medidas entre 85 cm a 120 cm , o nosso tinha 137cm.

Diferentemente do Brasil, a Argentina de forma geral protege os grandes exemplares, dando assim oportunidade que mais turistas sintam a grata satisfação de tentear esses brutos.

O peixe na Argentina vale mais dentro da água do que fora, pois gera muita renda não só para a rede hoteleira como para todos os que estão envolvidos no objetivo da pesca. Além do mais o grandes peixes mantém boa genética, produzem grande quantidade de ovos.

Depois de uma leve chuva durante a noite, nosso segundo dia de pesca amanheceu claro num  belo azul. Partimos contra a corrente uns 30 quilômetros. O Roberto resolveu poitar o barco num local em que as águas rápidas se dividem formando uma ilha. Pescamos por algum tempo e logo sinto um puxão forte na isca de milho cozido. Quem diria que num mar de águas daqueles um simples grão de milho poderia atrair um pacu. Imediatamente verifiquei a tensão do freio da carretilha e iniciei o recolhimento sentido a força do pacu.  A sensação quando se fisga um peixe é indescritível, a grande emoção fica por conta do que poderá acontecer, o maior temor é o peixe escapar do anzol ou arrebentar a linha. Mas tudo correu bem e retirei o lindo pacu amarelado.


Interessante que os piloteiros sabem onde moram os peixes, eles nos levam aos locais onde frequentam cada espécie de peixes, como os pacus, as piaparas, os dourados,etc.

No mesmo local tive mais um puxão forte, assim que chasqueie senti um forte peso, mas logo aliviou completamente. Quando verifiquei o anzol sua ponta tinha virado para dentro, sinal que o anzol pegou no dente do peixe e não fisgou.

Depois do almoço e do básico descanso, mais uma vez fomos ao encalço dos peixes. Subimos um pouco o rio e no local fisgamos uma piracanjuba e uma piapara. Meu grande desejo era fisgar um dourado, então solicitei ao Roberto fazer uma rodada com isca de tuvira. A coloração da água do rio não estava propícia aos dourados, apresentava-se ligeiramente turva, mesmo assim iniciamos a rodada. Realmente foi só passear com as tuviras, mas a conversa foi boa. Estávamos falando de política e a conversa rumou para as Malvinas. Todos sabem que os Argentinos não simpatizam muito com o Chilenos após a guerra das Malvinas, pois o Chile consentiu o pouso de um avião de bombardeio Inglês na época da guerra.


Falando em tempestade, a qual chamam de tormenta, é comum ventos e temporais de granizo no Rio Paraná, dessa forma, quando se tem previsão de temporal. Por segurança os barcos nem sequer descem para o rio.

Assim que chegamos à pousada, corria notícia que havia um barco em frente, onde um turista brigava com um grande pintado há 3 horas. Logo que anoiteceu a esposa do Sr. José nos chamou para fotografar o big pintado que foi trazido à beira do rio e logo depois foi libertado.


Final da jornada, viajamos durante a noite para a fronteira  onde amanhecemos na feirinha Argentina para as tradicionais compras de azeite de oliva, azeitonas, queijos, e o famoso alfajor.

Já em Foz do Iguaçu, tive tempo de visitar a binacional Itaipu, fantástica obra de engenharia.

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