Um grande Eland com arco e flecha

Em 2007 quando estava deixando a Namíbia, no aeroporto, peguei uma revista “Huntinamibia” editada com suporte do Ministério do Ambiente e Turismo e da Associação dos Caçadores Profissionais. Por coincidência naquele ano estava comemorando 100 anos da criação do Parque Etosha.

Folhando a revista, por coincidência, achei um artigo publicado pelo proprietário da fazenda onde estive caçando.

Vejam então como ele relatou sua caçada.

Subitamente Katiti puxou o fôlego, parou e apontou ao chão. Na trilha havia pegadas de um enorme Eland macho. O tamanho da pegada que nunca havia visto antes em muitos anos de caçada que fiz com rifle e com clientes. Era o macho que há muitos anos sonhava encontrar. E as pegadas eram frescas. Ao longo da trilha Katiti catou um punhado de folhas e espalhou abaixo sua cabeça. O vento fraco estava a nosso favor. Ele apontou novamente para as pegadas com os olhos pregados no chão.

Eu acompanhei-o, instintivamente chequei meu equipamento: um PSE Tazman bow de 70 libras e 4 flechas PSE de carbono com pontas Rocky Mountain Titanium 100 grains, Desde que obtive-o em 1998 venho usando-o até agora. Já peguei kudu, gemsbok,hartebeest,springbok,warthog, e pequenos predadores, como também um leopardo. Mas, após muitas tentativas nunca peguei um Eland.

Depois de quinze minutos no rastro, Katiti parou abruptamente, apontou seu indicador e virou sua cabeça. Eu olhei curiosamente para o pisteiro, mas antes eu pude cochichar minha questão para ele, que colocou seu dedo contra seus lábios cerrados. Nós ficamos completamente paralisados por um minuto antes de ele sorrir. Somente então pude ouvir o inconfundível clique das patas dianteiras do Eland andando.

Sentindo meu excitamento crescendo, movi o arco para minha mão esquerda. Katiti movimentou para frente e eu acompanhei-o silenciosamente e cuidadosamente. Estava preocupadíssimo, porque o sol estava quase desaparecendo atrás das copas da árvores e as vegetações rasteiras iam se  transformando denso mato.

Depois de uma centena de passos, Katiti parou mais uma vez e apontou novamente para o chão. Ele fez um movimento com sua mão indicando que o macho deixou seu caminho para esquerda. Então ele tocou seu nariz cheirando como um animal, indicando que  podia sentir o cheio do bicho. Sabendo da habilidade de pisteiro, Katiti, quem uma ocasião fez um milagre, sorri e assenti com a cabeça.

Mas, sua face estava ficando séria por conta que a pistagem teria que ser em grama, madeiras podres, arbustos e chão coberto de espinhos. Após uma dúzia de passos na emaranhada grama, estava claro que não poderíamos mais rastrear o animal. Eu senti minhas esperanças afundando em meus pés.

Então, como um hino vindo do paraíso, o clique dos tendões soou claramente, vagarosamente e bem próximo, indicando que o touro estava ainda navegando sem denotar nossa presença. Katiti indicou-me que eu deveria tomar a dianteira. Muito cuidadosamente eu tomei a dianteira e movi para a direção indicada.

Eu progredi dois, três passos, suando na testa e subitamente secou minha garganta. Katiti tinha sua mão em meu ombro direito guiando no caminho certo. Quanto tempo será que o animal iria marchar ou perceber-nos pelo vento. A preocupação roía minhas entranhas.

Então, a savana abrindo eu movi em direção, mas fui contido pelos dedos do meu pisteiro em meus ombros. Os olhos escuros de Katiti encarando-me. Eu segui seu olhar fixo e senti meu corpo endurecido em choque em ver o monstro do Eland macho a 15 metros de mim.

Instintivamente agachei e me perguntei por que não havia visto o animal quando fui noticiado pela primeira vez. Completamente calmo agora, então espreitei-o através das folhas de rosyntjiebos atrás do qual eu estava de cócoras. O Eland estava obviamente muito longe para um tiro certeiro. A 20 metros havia um grande arbusto entre eu e o Eland. Eu sentei para me recompor a compostura. A luz do dia já estava desaparecendo e não havia mais tempo a esperar.

Cautelosamente movi em direção ao arbusto e fiquei em posição inclinada a uns três passos do arbusto. Vi o touro movendo atrás da cobertura de folhagem exalando vagarosamente, conectei uma flecha, fiquei em pé cuidadosamente. O animal não havia me visto e caminhava vagarosamente em direção ao matagal do outro lado do clareira. Eu sabia que dentro de 20 segundos eu o perderia. Sem hesitação assobiei alto e o touro parou e olhou em volta.

Eu não me lembro de ter puxado e soltado ou ouvido a vibração da corda. Só vi a flecha bater e desaparecer três quartos do comprimento na área dos pulmões do gigante. Por um momento ele pareceu tremer. Então, ele abaixou um pouco sua cabeça e correu em direção ao matagal enquanto eu conectei outra flecha. Ele virou um pouco e notei que o tiro  teria pouco efeito, mas ele parecia vacilar e cambalear antes de desaparecer dentro das árvores mopanes.

 O resto da história é infelizmente anticlimática. Junto com Katiti nós seguimos o rastro no matagal. Devido à pouca luz do dia não teria sentido esperar para seguir o animal machucado. Resolvemos apressar o passo à procura do Eland, que tinha deixado provas evidentes que teria pouco tempo de vida.

Assim que nós entramos na vegetação rasteira meu coração afundou. Nós confrontamos com uma impenetrável vegetação de Tamboti (árvore que fornece linda madeira) e um emaranhado denso de Sekelbos, que dificultava ainda mais para enxergar com a pouca luz do dia o rastro do bicho.

Katiti tentou seu melhor feito, escalou uma pequena árvore e depois rastejando tentou passar através da vegetação. Porém imediatamente ficou enredado e teve que voltar pra trás.

Como a noite já estava caindo e a brisa surgindo, nós decidimos voltar para o acampamento. Não havia nada mais a fazer no momento, só ficamos pensando como o Eland conseguiu entrar  naquela vegetação totalmente fechada.

Katiti  deixou um galho para marcar onde encontrou as últimas pegadas do bicho. Trinta minutos depois chegamos ao veículo e após meia hora estávamos no acampamento onde tratamos de nossas perfurações causadas pelos espinhos das árvores.

Ao nascer do sol seguimos de volta para a trilha deixada pelo Eland, acompanhado por dois pisteiros do local e três guarda-caças com machados, facões, facas e água. Na hora mais brilhante do dia, os especialistas em rastro de bichos acharam meu Eland. Estava a uns 100 metros de onde levou a flechada. Ele estava deitado numa clareira debaixo de uma velha figueira- um magnífico e majestoso animal. Fiquei convencido que nunca mais obteria novamente um outro troféu melhor que aquele Eland.

0 visualização

©2019 by RECARGAMATIC.