Uma pintada no bamburral

As onças

Atualmente muitas onças continuam sendo abatidas por conta do prejuízo que exercem para com a criação de gado.  Fatalmente no futuro as onças serão dizimadas da América do Sul, como foram na América do Norte.

A única maneira de se preservar a onça seria impor valor ao animal e, a única maneira de impor valor é com a caça. Qual fazendeiro não trataria de uma onça com garrotes se pudesse vendê-la por até 20 mil dólares? Assim funciona na África onde os leopardos são caçados e ao mesmo tempo preservados.

O caçador Milton Lança, que acompanhou o Pedro Arlindo Zatti em muitas de suas caçadas, escreveu o livro chamado “Caça grossa Brasileira”. Esse livro é uma raridade, foi impresso em 1963, num sistema quase artesanal de impressão.

Segue uma narração emocionante de uma caçada relatada no livro.

Uma pintada no bamburral

Precisamente, às dez horas e vinte minutos do dia doze de novembro do ano passado, foi que, às margens do Rio Aquidauana, abatemos mais uma “Pintada”, porém uma onça digna de necrológico, tal a bravura e espírito de luta com que soube enfrentar seus perseguidores, homens e cães.

Dois dias antes, tivéramos notícia de que um lindo casal desses felinos andava na zona do “Garrafa” distante mais ou menos 15 km do nosso acampamento e à margem do belo, correntoso e piscoso Rio Aquidauna. De antemão, podia-se garantir que, deveria tratar-se de um casal muito bem criado, tal era o tamanho das pegadas encontradas.

No dia seguinte ao da boa notícia, fomos à pescaria já então programada, dedicando a parte da tarde para o preparo da picape Willys que serviria de nosso meio de transporte, levando, ainda os arreios e demais tralha indispensável à caçada que faríamos no outro dia.

Como se tratava de uma caçada às margens de um rio muito largo, correntoso e fundo, resolvemos levar nosso motor de popa Johnson de 18 hp.,mormente, por sermos que em São Domingos, retiro à margem do aludido rio que fica junto ao”Garrafa”. Havia um grande barco de alumínio, com capacidade para 8 pessoas, o qual, numa eventualidade, poderia ser utilizado, como de fato foi. Os cavalos seriam fornecidos pelo retiro, conforme já havíamos combinado com Ventura e que ali deveria esperar-nos. À noite, enquanto fazíamos nossa última refeição, entre o Rui e eu, foi feito o sorteio para a escolha do atirador, por que nenhum dos dois havia atirado a sua onça nessa excursão. A sorte favoreceu-me.

Ribeiro, fizera seu “Debut” uma semana antes, abatendo um dos mais lindos exemplares de onça parda, um macho tão grande como poucas vezes tem sido encontrado. Zatti, também já abatera outra parda, o que aconteceu em nosso segundo dia de acampamento.

Nessas condições, no dia seguinte levantamo-nos às duas horas e, após o nosso reforçado café, preparamos a matula—qualquer espécie de alimento pronto, tais como: pão, carne cozida com farofa, queijo ou rapadura, e que se costuma levar em jornadas longas –e partimos sob um lindo céu estrelado e agradável temperatura, rumo a São Domingos, aonde chegamos quando despontava a barra do dia. Éramos cinco: Ribeiro, Ruy, Zatti eu e Celestino, este, nosso zagaieiro e vaqueano, caçador experimentado, bugre de meio sangue e que com toda certeza, possui um sexto sentido.

Feitos os cumprimentos de praxe, à uma porteira muito próxima surgia cavalhada que haviam ido buscar para nossa montaria. Em poucos minutos encilhamos e sob grande entusiasmo e enorme esperança, iniciávamos nosso caçada. Não era para menos. Contara-nos o retireiro Delfino que, naquela noite, o atrevido casal de felinos estivera urrando no outro lado do rio, causando o estouro da nossa cavalhada que, de véspera, fora recolhida ao piquete.

À nossa turma, incorporou-se o ventura, moço, alegre, de estatura baixa e franzina, porém, um mato-grossense valente e campeiro invulgar que, com Celestino, constitui uma dupla de caçadores e mateiros dificilmente e principalmente, no conhecimento que tem desse gênero de caça, em cujo acervo contam com mais de trezentas onças abatidas.

Ambos iam à nossa frente. De vez em quando, afastavam-se entre si à procura de batida, que nos caminhos trilhados e de terra à mostra, quer junto às aguadas. Ora com um, ora com outro, nós os seguíamos mantendo uns cinquenta metros de distância. Doze cachorros acolherados de dois em dois acompanhavam-nos, precedidos de Dourado, Bolero e Princesa, afora o velho e querido Igarapé, verdadeiro mestre entre os que mais o forem, o menor de todos e que, por ter mais e doze anos de idade, é sempre conduzido a cavalo até o momento de ser encontrada a batida da onça. O veterano Igarapé, que nesse dia completaria a sua trigésima quinta onça, grande “record” para um cão onceiro, é considerado um talismã.

Seguimos para o “Garrafa”, margeando o Rio Aquidauna, e em sentido contrário ao da sua correnteza. Sabíamos que o movimento natural daquelas onças, deveria ter sido o de, pela madrugada, terem retornado para a margem de cá, onde passariam o dia, como já o vinham fazendo há quatro dias. Note-se que, entre os quadruples, a onça é a que melhor e mais rápido nada, e atravessar um rio quando perseguida, é uma das maneiras como consegue livrar-se dos caçadores. Muito comum é encontrar-se um felino dessa espécie com a ponta da cola comida pelas piranhas.

Nem bem andávamos duas horas, ao passo, naturalmente, quando Bolero, que se encontrava a uns duzentos metros à nossa direita, começou a farejar determinado lugar, latindo com muita insistência. Juntamente com Ventura, aquém acompanhávamos nesse momento, –Celestino procurava batida pela margem do rio—dirigimo-nos para lá, onde encontramos pegadas frescas, indicando ser de um macho que por ali passara, naquela madrugada. Com a chegada simultânea de mais três colheras, aumentou de forma o alarido que Celestino atendeu e imediato. Ventura, que já apeara, desacolhera os dois mestres, Certeza e Pitoco, que saem logo atrás de Bolero, já na dianteira da batida. Outros perros são largados e a corrida começa sob intenso ganido. Procuramos acompanha-las o mais de perto possível, afim de, com gritos estimular os cães à procura de felino que deveria estar descansando próximo dali, Servem, ainda, esses gritos, para a matilha saber que estamos no seu encalço e que pode contar com a nossa ajuda.

Entretanto, depois de uns cinco minutos de excitante perseguição, o entusiasmo dos cães soltos foi se arrefecendo, seus ganidos diminuindo de intensidade, e, de um a um, começaram a parar, vindo ao nosso encontro. Percebemos que, com toda a certeza, Bolero que se adiantara aos demais, surgira numa “contra batida” lado inverso para o qual foi a onça, e os demais cachorros, no entusiasmo, o acompanharam.

Acolhemos toda a matilha e retornamos ao local onde fora localizada a batida. Aí soltamos somente o velho Igarapé, que em poucos minutos “Péga” a batida, dirigindo-se para o lado do Aquidauana, no seu característico trote curto, ao mesmo tempo em que soltava os primeiros ganidos. Seu faro era tão firme e seu latido tão sintomático que Celestino não teve dúvidas em soltar toda a matilha, num total de 16 cães. À medida em que iam sendo soltos corriam na direção de Igarapé que não mais era enxergado. Desta vez, estávamos na batida de tonalidade, indicaram que o “levante” -momento em que a onça começa a correr –fora feito.

É ,este, o momento em que o caçador, tendo necessidade de acompanhar a corrida o mais perto possível, como já foi dito, esquece completamente que está a cavalo e, em louca disparada, em coluna indiana, percorrendo as trilhas feitas na alta vegetação, atravessando matas nas quais, muitas vezes, é necessário abrir-se passagem, deixando pedaços de roupa não espinheiros e recebendo os respectivos arranhões, varando pântanos com grande dificuldade, o homem fica alheio a qualquer risco, que é o entusiasmo com que fica possuído.

Após atravessarmos dois capões, ouvindo o variado ganido de nossos perros, não tínhamos mais dúvidas de que essa onça procuraria transpor o rio Aquidauana, pois além de continuar nesse rumo, já deveria estar muito próxima dele.

Lamentável e consternador, foi o fato de encontrarmos, a uns duzentos metros da margem desse rio, a primeira vítima dessa onça. Era Dourado, o mais novo de todos os cães, com apenas uma ano de idade e sua segunda caçada, que ali, em estado deplorável, com todas as suas vísceras à mostra, agonizava, fruto de sua precoce valentia e inexperiência. Nada pudemos fazer por ele, a não ser, abreviar-lhe os sofrimentos.

Chegamos à margem, local em que o Rio Aquidauana deve ter uns oitenta metros de largura, ainda pudemos ver Florado Segundo, Lobinho e um outro cão, recém atingindo o outro lado. A feroz onça já estava em cerco. Resolvera parar e, no chão, enfrentar seus inimigos. O estado em que deixara Dourado, e o fato de desejar a luta no vão, ao invés de trepar, era o seu “cartão de visita”. Nossa vontade era alcançar a outra margem de qualquer jeito. Transpô-lo a cavalo seria uma temeridade, quase impossível pela sua grande correnteza, largura e profundidade, além da necessidade que tínhamos de resguardar nossa aparelhagem fotográfica e armamento. A acuação era cada vez mais intensa, e a reação que essa onça estaria oferecendo era qualquer coisa de violenta, dedução que tirávamos pela choradeira que, de vez em quando, algum cão fazia, uma solução para que pudéssemos continuar a persegui-la, era a de utilizarmos a lancha que estava em São Domingos. Mal acabáramos e montar a fim de retornar ao Retiro, donde voltaríamos de lancha, quando ouvimos e percebemos que o bravo felino fizera outra vítima.

Ruy e Celestino ficaram nesse local à nossa espera e com eles dois cães –sendo um Princesa—na expectativa de qualquer eventualidade e, principalmente, para continuar a incentivar os cães e impedir que a onça voltasse para o lado de cá. Por mais de uma vez, essa onça chegou a levar de atropelo até a beira do rio Alguns cachorros, sendo que, numa das vezes, chegou a ser vista por nossos companheiros.

Cremos que, em menos de meia hora, fomos a São Domingos, colocamos o motor de popa na lancha, recolhemos Ruy e Celestino e chegamos ao lado, desembarcando numa pequena praia lamacenta, a uns 100 metros do local da luta.

Geralmente, quando uma onça para no chão para enfrentar o caçador e seu cachorros, ela é quem escolhe o terreno para a luta, e o faz como só um grande estrategista o faria, pois o ambiente é o pior possível para o caçador. Se não é um brejão alagadiço e cheio de atoleiros, onde  muitas vezes nenhum animal cavalar ou mesmo vacum consegue andar, somente o homem a pé, assim mesmo se for muito conhecedor desse tipo de terreno, ela  escolhe um bamburral como o fez – mato baixo entrelaçado de cipós e trepadeiras, de vegetação flexível, porem tão densa que, apesar da pouca altura, a luz solar muito pouco penetra, tornando quase impossível a visibilidade de um animal a mais de 2 metros, especialmente uma onça pelo seu mimetismo.

Do lugar em que iniciamos a abertura da picada, ela estaria sendo acuada a uns 15 metros, e seus constantes esturros eram tão fortes que qualquer animal que por ali andasse deve ter fugido.

Celestino abria a picada com seu facão à mão direita levando na esquerda a sua zagaia (arma indispensável para enfrentar uma onça acuada no chão, em lugar sujo e de pouca possibilidade. É feita de uma vara especial madeira de lei, roliça, com uns cinco centímetros de diâmetro, tendo uma extremidade uma ponta de lança de uns trinta centímetros de comprimento, com dois gumes afiadíssimos).Bem ao lado de Celestino, à sua esquerda, ia eu fazendo sua proteção e como matador. Comigo a minha já veterana Savage, calibre 250/3.000, carregada com 5 balas pointed-soft-point; logo atrás o Celestino, a uns dois passos estava Ruy que, com sua Savage 303, fazia a cobertura lateral direita; Ribeiro, com sua novíssima Marlin 30-30, lado a lado com Ruy, cobria-me e guardava a lateral esquerda, e finalmente, fazendo a retaguarda, Zatti e Ventura, ambos de revolver. Essas medidas de precaução tomadas, são muito necessárias, visto ser comum uma onça fazer seu ataque por um dos lados ou por trás.

Vivíamos um dos momentos mais perigosos da caçada. Isto porque, enquanto uma onça corre com a maior facilidade pelo meio daquela vegetação, o homem, além de não ter essa faculdade, tem um mínimo de visibilidade, seus movimentos são dificultados, senão tolhidos pelo emaranhado daquela vegetação e pela falta de firmeza ao pisar um solo fofo, e ainda, e sobretudo, pela onça, aos cuidados para evitar um acidente com sua arma e, finalmente, o seu estado emocional.

Para se ter uma ideia do estado de emoção de um caçador num momento como esse, basta dizer-se que, aos carrapatos(daquele miudinho terrível que se desprendendo da vegetação caem sobre ele; às picadas das formigas Novatas(pequena formiga vermelha, ou de fogo, que somente anda numa arvore denominada Novateira, e que a passagem do homem, ao contato com a árvore, dela desprende produzindo enorme ardência), e ainda , às nuvens de mosquitos atacando sem cessar—nossos verdadeiros inimigos—o caçador nem os percebe.

Já havíamos aberto uma clareira de uns dois metros de largura por uns seis de comprimento, certos de avistá-la a qualquer momento, tão de perto se ouvia o estalar de galhos secos que ela e os cães faziam, quando essa pintada resolveu mudar-se para outro lugar, dentro mesmo do bamburral distante uns 50 metro, obrigando-nos a percorrer muito mais para o evitarmos. Como sempre, a matilha não lhe dava um minuto de folga, acuando permanentemente. Nessa sua fuga que muito embrabesse a cachorrada, ela consegue por mais um fora de luta. Desta vez era Florado, lindo cão, mistura de vira-lata com pointer, que ao nosso encontro veio chorando, com um enorme furo na cabeça, bem próximo à inserção da orelha esquerda, por sua vez, rasgada em toda a extensão, como se fosse cortada por uma faca. Florado teve sorte, porque, provavelmente, ao tentar fazer-lhe presa, a onça abocanhou por baixo algum galho grosso, o que lhe permitiu escapar. Contornando o bamburral, passamos pela margem do Aquidauana, chegando ao local onde começamos na mesma faina de abrir picada. A onça estaria a uns vinte metros. Mantendo a mesma ordem, colocação e absoluto silêncio, fatores importantíssimos, verificamos que, apesar de ser o local para nós mais favorável pela espécie de vegetação, entretanto, seu solo era muito pior. Andávamos, agora, num terreno alagado, com água a entrar pelo cano das botas. Apesar de estarmos sob uma temperatura que oscilava em torno de 38 graus, calor sufocante e úmido, nosso entusiasmo não diminuía. Interessante é notar-se que a matilha que já vinha trazendo a onça de “canto chorando”, redobrou o seu alarido percebendo que ali chegáramos. Infelizmente, depois de meia hora de ingente trabalho, cortando e derrubando aquela vegetação, esse maldito felino voltou ao lugar primitivo, o que nos obrigou a fazer novamente o mesmo percurso de volta e retornar a picada que já havíamos iniciado. Como é difícil caminhar com as botas cheias de água e lodo. Sentíamos que nossos valentes onceiros estavam “pregando”, tanto que Bolinha e Lobinho. Ambos deitaram-se respirando ofegantemente, com quase um palmo de língua fora de suas bocas.

Ao  entrarmos na picada já iniciada, tivemos a impressão de que por ali passara uma máquina de cortar, tal a quantidade de vegetação cortada tão miúda. A onça parecia  mostrar-se  cada vez mais enfurecida. Avançávamos com toda a cautela. A essa altura, Celestino já havia perdido o seu chapéu e abandonado sua camisa e botinas. Que resistência física. Apesar de ainda podermos de vez em quando enxergá-la, percebíamos que ela se defendia do cerco da matilha, tendo Celestino derrubado com sua zagaia umas folhas secas e galhos poderes que formavam como que uma parede e telhado, com pouco mais de metro de altura—deparamos com dois túneis—caminho velho ou de onça ou de anta ou de capivara, sob a vegetação e de forma arredondada—duas verdadeiras chaminés distanciadas um metro entre si, ambas voltadas bem para nós.  Agora, sabíamos que ao nos atacar, essa onça forçosamente viria por um desses túneis com a rapidez e agilidade que lhe  são peculiares. Redobramos nossa atenção. Nosso horizonte melhorara um pouco. De vez em quando, ao perseguir algum cachorro, chegávamos a vê-la de relance. Nosso avanço passou a ser feito aos centímetros. Pela distância que nos separava, a ela cabia o ataque. Qualquer descuido, principalmente de minha parte, poderia ser de sérias consequências. Suávamos tanto que o nosso suor não pingava, escorria pelo rosto de pelo corpo e, quem nos visse, diria termos caído na água vestidos. Jamais vivêramos instantes de tanta emoção e excitamento, á espera do sensacional desfecho: atirar uma onça no chão, em plena arremetida e ao alcance do cano de nossa arma. E, de fato, o tivemos pela surpresa de que se revestiu o ataque. Por demais enfurecida, desejando pôr fim à aquela situação, sabendo que seus minutos de vida estavam contados, essa onça, após tentar pegar Bolero que rapidamente se abrigou no ôco de um tronco, fez uma meia parada voltada para nós a uns quatro metros donde estávamos, soltou seu característico esturro de quem vai arremeter, que seria o último, e investiu, momento em que a perdemos de vista para, de imediato, vê-la surgir num terceiro túnel que não descobríramos. Trazendo sobre sua cabeça e dorso restos daquela vegetação e, antes que ela levantasse para agredir Celestino, eu que já a tinha em mira, quase ao alcance do cano de minha Savage, atirei no mais preciso e feliz momento. Recebendo em pleno crâneo o violento impacto do tiro, essa onça “parou”—como se tivesse batido num paredão de pedra— caindo inerte  à nossa  frente. É inenarrável essa cena. A nossa emoção e vibração atingem seu “clímax”. Tão perto e inesperadamente surgiu essa onça que de maneira alguma Celestino teria podido usar sua zagaia, caso tivesse havido necessidade. Enquanto todos se abraçavam e cumprimentavam pelo feliz e empolgante desfecho, a matilha, mais braba do que nunca, atacava a dentadas aquele lindo macho que, pela valentia e ferocidade demonstradas, com mais dois anos de vida seria o rei dos reis naquelas paragens, o tal macharrão. Filmes e fotografias foram tiradas para enriquecer ainda mais os nossos já bem documentados álbuns de caça grossa brasileira.

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