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Viagem ao Rio Cuiabá


                                              Ávores morrendo pelo desbarrancamento

Viagem ao Rio Cuiabá

Toda vez que me dirijo ao MT, vejo nos campos e plantações, muitas emas. Fico então imaginando que bom seria se pudéssemos ter a sua caça legalizada. Vejam vocês que para se abater um avestruz na África é cobrado por animal em torno de U$900. Será que com esse incentivo monetário, algum fazendeiro deixaria de aproveitar essa renda extra?

Hoje muitos fazendeiros plantadores de grãos, detestam as emas, pois elas dão prejuízo à lavoura, comendo brotos de soja, etc. Muitos donos de terra, não se importam em destruir seus ninhos, pois é um animal que não tem valor agregado. Como as emas, os porcos, as queixadas e catetos, vivem em abundância nas lavouras, seriam também mais uma fonte de renda para os fazendeiros e estariam controlando a espécie e minimizando os estragos que produzem.

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Vejam a destoante proteção dos barrancos

Voltando à viagem, estivemos na região de Barão de Melgaço, o rio naquele trecho é muito habitado por ribeirinhos que vivem em função do peixe e de iscas para os turistas. Creio eu que a habitação nas margens do Cuiabá remonta da época das monções que levavam mantimentos e traziam ouro de Cuiabá.

Muito embora tenha visto grande quantidade de animais selvagens, tais como: capivaras, jacarés, cobras, antas e grande variedade de pássaros, notei que o rio está cada vez mais perdendo seus barrancos e consequentemente assoreando o leito. Isto se deve em grande parte a pressão de habitações, ranchos e pousadas que liquidam a proteção vegetal das margens, deixando o solo nu e assim favorecendo a corrosão do barranco. Outro agravante, são os motores de popa de alta potência que fazem ondas fortes na água, favorecendo também o desmoronamento das barrancas.

Em muitos lugares que estive pescando, e este não é diferente, nota-se que não há uma preocupação do governo em educar os pirangueiros. Somente eles que podem dar exemplos aos turistas, fiscalizando a depredação do rio em termos de retirada de peixes e convívio com a natureza. Outros países com consciência, os pirangueiros são orientados a lidar com a fauna e flora e transmitir isso aos turistas. O Brasil ainda esta na fase extrativista de peixes dos rios e de forma totalmente errônea. Países como a Argentina tem consciência que o peixe ficando no rio rende mais que ser vendido para consumo. O turismo da pesca rende muito e a política da pesca turística não está sabendo aproveitar este potencial.

Pesquisas feitas, demonstraram que o tubarão vivo rende mais divisas que morto. O tubarão hoje é uma fonte turística de grande potencial.

Eu sempre discordei da maneira como é feita a cota de peixes para os turistas pescadores. Não há um planejamento de proteção das espécies, todos nós percebemos que alguns tipos de peixes estão sumindo dos rios, porque não há um plano de rodízio de espécies. Outra discrepância é o tamanho dos peixes que podem ser capturados, determinam somente o mínimo tamanho e deixam apanhar os grandes espécimes. Todos nós sabemos que os grandes produzem maiores quantidades de alevinos e tem uma genética mais forte e são capazes de produzir peixes maiores e mais fortes. O tamanho a ser permitido para captura deveria ser um tamanho intermediário, nem os grandes nem os pequenos.


Nesta região do pantanal podemos ver grande quantidade de aves que se alimentam de peixes, estivemos visitando os ninhais de Passarão , que é uma espécie de garça. As árvores onde habitam os ninhais ficam cobertas de ninhos e filhotes esperando seus alimentos, e as aves adultas sobrevoam continuamente os ninhais para alimentarem seus rebentos. No solo esperando pela desgraça dos filhotes que caem, ficam as sucuris e os jacarés de prontidão.




                                          Senti um autêntico pantaneiro, de chapéu típico e tudo!

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